Desde o início de sua história o homem vem tentando entender
sua existência e, nesse processo, tenta estabelecer mediações entre si e sua
realidade. A principal ferramenta nesse processo são os sentidos. Com o passar
do tempo esse processo foi se sofisticando a ponto dos sentidos serem só um dos
meios disponíveis ao homem para produzir, compreender e se apossar de
conhecimentos.
O desenvolvimento das tecnologias fez com que os sentidos e
o próprio cérebro humano se desenvolvesse de maneira jamais imaginada.
Segundo o autor, a “pesquisa é uma atividade intencional e,
como tal, é uma prática inscrita na elaboração de planos capazes de produzir
conhecimento.”
Veremos nesse resumo como pensadores citados pelo autor
foram importantes para se entender como o conhecimento se produz.
Não se trata aqui de estudar a fundo as definições de
conhecimento de cada um dos autores citados, mas apresentar sinteticamente
diferentes pontos de vista.
Platão define o conhecimento como algo inato, superior e já
existente no ser humano, em seu espírito. Assim sendo, esse conhecimento não se
constituiria a partir do mundo material, da natureza ou das relações históricas
entre as pessoas. Para Platão, o conhecimento não poderia ser elaborado, pois
já está no ser humano e todos os indivíduos seriam portadores do conhecimento.
Segundo o filósofo, para se atingir o conhecimento seria necessário que o homem
se desligasse do mundo natural e da história para se voltar à contemplação do
mundo espiritual.
Para o pensador John Locke todo homem tem consciência de que
pensa e de que, quando está pensando sua mente ocupa-se de ideias. Essas ideias
seriam “aprendidas” através da experiência dos sentidos. O uso dos sentidos
permitiria que o homem acessasse seu mundo exterior e desenvolvesse, a partir
desse acesso, a experiência com aquilo que o cerca.
Resumindo a idéia de Locke, poderíamos dizer que o
conhecimento se tornaria possível apenas pela experiência sensível do ser
humano. Esse conceito seria a base para o desenvolvimento do empirismo.
A elaboração de ideias sensoriais complexas a partir da
observação, da descrição e da catalogação dos fenômenos observados; a percepção
da relação entre fatos; a sua análise e, por fim, a busca do estabelecimento de
leis serão as bases do que mais tarde denominou-se ciência moderna.
Immanuel Kant faz uma crítica do idealismo de Platão e do
empirismo clássico de Locke. Para Kant o conhecimento não é inato e nem decorre
apenas de experiências. Kant distingue a “matéria do conhecimento” da “forma do
conhecimento”. A matéria do conhecimento advém da nossa experiência no mundo
dos fenômenos, dos objetos e das pessoas. A realidade empírica fornece
conteúdos ao conhecimento pela disposição de objetos, fatos e fenômenos a serem
apreendidos por nossos sentidos.
Em resumo, precisamos da experiência no mundo para obter
conhecimento, porém o modo como experimentamos esse mundo dá-se por meio de uma
estrutura de pensamento que nos é interna, independente da experiência. Nesse
contexto, a razão não estaria relacionada à experiência. Kant duvida do
conhecimento que é apenas empírico (a posteriori). Não bastaria observar,
descrever e catalogar um fenômeno, mas o fundamental seria observar, descrever
e catalogar a partir de conceitos preestabelecidos (a priori).
Para Karl Marx não seria possível compreender o ser humano
desvinculado da história. Os fatos e a consciência desses fatos nascem das
relações que o homem estabelece com a natureza e da luta pela sobrevivência. Os
três filósofos citados anteriormente são questionados por Marx, pois, para ele,
eles discutiam a razão em si ou a experiência em si. Não se ocupam com o fato
de que a razão e também a experiência possuem uma história.
Para Marx, a cada modo de produção correspondem determinadas
relações e, por isso, esses diversos modos de produção contem diferentes modos
de conhecimento.
A partir de Marx pode se dizer que foi possível compreender
que o pensamento de Platão implica em desqualificar o trabalho manual na
sociedade que se mantinha pela escravidão; demonstrar que o empírico e
experimental de Locke relacionou-se à necessidade da indústria capitalista de
deter um conhecimento propício ao aumento dos lucros e à produção de
quantidades maiores de bens, com o menor custo possível e, por fim, defender
que o conhecimento cognitivo e empírico, proposto por Kant, não transforma o
mundo porque não questiona a historicidade do conhecimento.
CONCLUSÃO
Nesse capítulo dois o autor nos leva a compreender que não
existem definições únicas do que seja conhecimento. Isso demonstra que a
ciência também é elaborada por escolhas, ou seja, da concepção de conhecimento
que o cientista adota ao realizar uma pesquisa.
Também podemos dizer que determinadas concepções sobre a
dimensão social das atividades humanas estarão presentes nas escolhas feitas
pelo pesquisador em seu trabalho diário.
Podemos concluir que o conhecimento contém propostas
políticas explícitas e implícitas que nos levam a pensar em quais os objetivos
de uma pesquisa, a favor ou contra quem servem seus resultados, isto é, se o conhecimento
e a pesquisa são neutros, se estão a favor da humanidade ou se seus resultados
favorecem mais a classe burguesa e menos as classes trabalhadoras.
REFERÊNCIA:
MEKSENAS, Paulo. PESQUISA SOCIAL E AÇÃO PEDAGÓGICA. Cap. 2,
São Paulo, Loyola, 2002.

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