quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pesquisar é Produzir Conhecimento


Síntese do livro "PESQUISA SOCIAL E AÇÃO PEDAGÓGICA" de Paulo Meksenas, Loyola 2002
Desde o início de sua história o homem vem tentando entender sua existência e, nesse processo, tenta estabelecer mediações entre si e sua realidade. A principal ferramenta nesse processo são os sentidos. Com o passar do tempo esse processo foi se sofisticando a ponto dos sentidos serem só um dos meios disponíveis ao homem para produzir, compreender e se apossar de conhecimentos.
O desenvolvimento das tecnologias fez com que os sentidos e o próprio cérebro humano se desenvolvesse de maneira jamais imaginada.
Segundo o autor, a “pesquisa é uma atividade intencional e, como tal, é uma prática inscrita na elaboração de planos capazes de produzir conhecimento.”
Veremos nesse resumo como pensadores citados pelo autor foram importantes para se entender como o conhecimento se produz.
Não se trata aqui de estudar a fundo as definições de conhecimento de cada um dos autores citados, mas apresentar sinteticamente diferentes pontos de vista.


Platão define o conhecimento como algo inato, superior e já existente no ser humano, em seu espírito. Assim sendo, esse conhecimento não se constituiria a partir do mundo material, da natureza ou das relações históricas entre as pessoas. Para Platão, o conhecimento não poderia ser elaborado, pois já está no ser humano e todos os indivíduos seriam portadores do conhecimento. Segundo o filósofo, para se atingir o conhecimento seria necessário que o homem se desligasse do mundo natural e da história para se voltar à contemplação do mundo espiritual.
Para o pensador John Locke todo homem tem consciência de que pensa e de que, quando está pensando sua mente ocupa-se de ideias. Essas ideias seriam “aprendidas” através da experiência dos sentidos. O uso dos sentidos permitiria que o homem acessasse seu mundo exterior e desenvolvesse, a partir desse acesso, a experiência com aquilo que o cerca.
Resumindo a idéia de Locke, poderíamos dizer que o conhecimento se tornaria possível apenas pela experiência sensível do ser humano. Esse conceito seria a base para o desenvolvimento do empirismo.
A elaboração de ideias sensoriais complexas a partir da observação, da descrição e da catalogação dos fenômenos observados; a percepção da relação entre fatos; a sua análise e, por fim, a busca do estabelecimento de leis serão as bases do que mais tarde denominou-se ciência moderna.
Immanuel Kant faz uma crítica do idealismo de Platão e do empirismo clássico de Locke. Para Kant o conhecimento não é inato e nem decorre apenas de experiências. Kant distingue a “matéria do conhecimento” da “forma do conhecimento”. A matéria do conhecimento advém da nossa experiência no mundo dos fenômenos, dos objetos e das pessoas. A realidade empírica fornece conteúdos ao conhecimento pela disposição de objetos, fatos e fenômenos a serem apreendidos por nossos sentidos.
Em resumo, precisamos da experiência no mundo para obter conhecimento, porém o modo como experimentamos esse mundo dá-se por meio de uma estrutura de pensamento que nos é interna, independente da experiência. Nesse contexto, a razão não estaria relacionada à experiência. Kant duvida do conhecimento que é apenas empírico (a posteriori). Não bastaria observar, descrever e catalogar um fenômeno, mas o fundamental seria observar, descrever e catalogar a partir de conceitos preestabelecidos (a priori).
Para Karl Marx não seria possível compreender o ser humano desvinculado da história. Os fatos e a consciência desses fatos nascem das relações que o homem estabelece com a natureza e da luta pela sobrevivência. Os três filósofos citados anteriormente são questionados por Marx, pois, para ele, eles discutiam a razão em si ou a experiência em si. Não se ocupam com o fato de que a razão e também a experiência possuem uma história.
Para Marx, a cada modo de produção correspondem determinadas relações e, por isso, esses diversos modos de produção contem diferentes modos de conhecimento.
A partir de Marx pode se dizer que foi possível compreender que o pensamento de Platão implica em desqualificar o trabalho manual na sociedade que se mantinha pela escravidão; demonstrar que o empírico e experimental de Locke relacionou-se à necessidade da indústria capitalista de deter um conhecimento propício ao aumento dos lucros e à produção de quantidades maiores de bens, com o menor custo possível e, por fim, defender que o conhecimento cognitivo e empírico, proposto por Kant, não transforma o mundo porque não questiona a historicidade do conhecimento.



CONCLUSÃO

Nesse capítulo dois o autor nos leva a compreender que não existem definições únicas do que seja conhecimento. Isso demonstra que a ciência também é elaborada por escolhas, ou seja, da concepção de conhecimento que o cientista adota ao realizar uma pesquisa.
Também podemos dizer que determinadas concepções sobre a dimensão social das atividades humanas estarão presentes nas escolhas feitas pelo pesquisador em seu trabalho diário.
Podemos concluir que o conhecimento contém propostas políticas explícitas e implícitas que nos levam a pensar em quais os objetivos de uma pesquisa, a favor ou contra quem servem seus resultados, isto é, se o conhecimento e a pesquisa são neutros, se estão a favor da humanidade ou se seus resultados favorecem mais a classe burguesa e menos as classes trabalhadoras.







REFERÊNCIA:

MEKSENAS, Paulo. PESQUISA SOCIAL E AÇÃO PEDAGÓGICA. Cap. 2, São Paulo, Loyola, 2002.

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